Entrevista: Astronauta Marinho

Só pelo nome, você já pode imaginar que Astronauta Marinho de São Paulo que não é, certo? Felipe Lima, Chagas Neto, Daniel Lima, Rafael Viana, Caio Cartaxo e Guilherme Alvez são de (e se inspiram em) Fortaleza, apostando no instrumental para transmitir a mensagem que querem.

Não faz muito tempo, eles vieram para cá se apresentar no projeto Prata da Casa, trazendo as músicas de seu último álbum, o “Menino Sereia”. Mas vamos deixar eles mesmos explicarem melhor?!

Olha só o que saiu da minha conversa com eles:

Para quem não conhece o Astronauta Marinho ainda, podem nos contar um pouco sobre a banda?

O projeto nasceu das composições e iniciativa de Felipe Lima, em seu homestudio, que após o incentivo de um amigo, convidou outros músicos para compor um novo formato a fim de executar suas composições nos palcos. A partir da apresentação na IV Mostra Petrúcio Maia, realizada pela Secretaria de Cultura de Fortaleza em 2011, a banda tomou o formato atual, passando a compor e a trabalhar como um grupo dinâmico, buscando explorar sonoridades diversas e projetar/exportar seu trabalho em formatos variados.

Se vocês tivessem que definir o som em três palavras, quais seriam? 

Quarenta e dois.

Como funciona o processo de composição do grupo? 

No começo do projeto, a maioria das composições era do Felipe. Mas depois que a banda foi formada começou um processo mais colaborativo, em que cada um chega com alguma idéia de riffs, ritmos ou até mesmo a composição toda e depois trabalhamos juntos.

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Ph. Eduardo Abreu

No Fartozalê, a cidade em si parece ser uma influência grande para as músicas, já no Menino Sereia, vemos um personagem inserido nela, quase numa progressão. É muita viagem minha? 

É muita viagem também. Existe sim esse personagem, mas não costumamos personificá-lo. Deixamos aberto ao público para cada um colocar o seu.

Para a gente, a idéia do menino sereia é de um sentimento de deslocamento. De estar num lugar e não se sentir pertencente a ele. O menino sereia não é menino nem é peixe, não pertence ao mar nem à terra, é menino e é sereia.

E vocês têm idéia para um próximo álbum?

Estamos sempre compondo e produzindo, seja em casa ou nos ensaios. Temos trabalhado algumas composições que virão no próximo álbum, inclusive tocamos algumas delas nos shows do “Menino Sereia”. Em 2015 estamos focando em divulgar e fazer shows do “Menino Sereia” em outros lugares e estados.

Quando a gente fala sobre influências, é comum pensarmos em bandas e artistas. Mas sabemos que vai muito além disso. Conseguem lembrar de algum som inusitado que acabou servindo de inspiração no Menino Sereia? 

Cada um da banda ouve muitos sons específicos. Acredito que na época das composições, foi um dos momentos em que estávamos mais conectados com que o outro estava ouvindo. Ouvíamos Pink Floyd, Sigur Rós, Radiohead, Christian Scott, Tortoise, Hurtmold, Cidadão Instigado, Toe, Mogwai e por aí vai. O som que fazemos tem influência também da nossa bagagem antiga. Dos livros que lemos, filmes que assistimos e principalmente a nossa cidade e pessoas que a habitam.

Soube que vocês vieram para SP não faz muito tempo. Como foi a participação no Prata da Casa? Tocar em SP era como vocês imaginavam?

O projeto Prata da Casa é muito importante pra música no Brasil e sob a curadoria do Miranda nos sentimos honrados de ter participado. O show foi muito especial, tanto em relação ao Sesc Pompéia que é um lugar muito massa, quanto pela presença do público.

Nossa experiência em São Paulo foi muito positiva. Tocamos no Sesc Jundiaí, Sesc Pompéia, Submundo Sessions e Puxadinho da Praça. Demos um pulo também no Rio de Janeiro na casa de show e estúdio Audio Rebel.

É muito gratificante poder tocar para pessoas diferentes e poder dividir sentimentos de lugares fora da nossa cidade.

Para encerrar, se vocês tivessem que escolher três músicas para representar Fortaleza, quais seriam?

“Fortaleza” do Cidadão Instigado, “Mil Setas” de Danilo Guilherme e “Fire on The Mémé” do Lanuit ft. DowGow.

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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