O acaso mora nas frestas. E, entre um compasso e outro, “Brecha” deságua no encontro do que era e do que ainda vai ser. Esse terceiro single do projeto instrumental Tenório reforça e aprofunda a identidade sonora do grupo com a faixa mais pesada que lançaram até o momento.

Foto: Elisa Moos
Embora ela ainda dialogue com referências da música brasileira e do jazz contemporâneo como o de Tigran Hamasyan e Amaro Freitas, pende para o grunge, com seu peso, contrastes e riffs.
“A ideia de Brecha surgiu como uma metáfora. As brechas podem ser portais. São fissuras da nossa própria vida, por onde algo escapa, entra ou respira. É por onde o acaso se expressa. E grandes transformações podem nascer de oportunidades pouco evidentes, de pequenos deslocamentos capazes de mudar completamente um caminho”, explica Filipe Consolini, pianista, compositor e idealizador do projeto.
E esse desvio de rota se consolida na própria construção da música, que, da metade em diante, entra em desencontros rítmicos, marcados pela tensão e pela urgência que contrastam com sua primeira parte. Bora ouvir?
“Brecha” antecede a chegada do álbum de estreia do grupo, formado por músicos de projetos relevantes da nossa cena, incluindo aí o Antiprisma, Supercolisor e o grupo de lo-fi hip hop Ozu. São eles Filipe Consolini (piano), Henrique Meyer (guitarra), Victor José (baixo) e Felipe Marques (bateria).