Os Amanticidas fizeram quatro marchinhas sob medida para um Carnaval insólito

Os quatro dias reservados para o Carnaval de 2021 deixaram um sabor estranho na boca de todos que, de alguma forma, promoviam suas catarses pelos blocos e avenidas país afora. Na contramão de quem fez esforço para estragar outros carnavais, uns abraçaram seus sentimentos em vestes nostálgicas e outros investiram na folia domiciliar, sob a esperança de uma celebração mais segura no futuro.

Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, Os Amanticidas surgiram com “Todos os Protocolos ou Quatro Marchinhas em Busca de um Carnaval” na última sexta-feira, como resposta aos estímulos gerados pelo não-feriado. O resultado é acolhedor e inquietante, ao passo que evoca os arquétipos de um país que vacila entre desalento e esperança, exposição e recolhimento, violência e Carnaval.

No aspecto musical da obra, as marchinhas feitas pelos paulistanos materializam sentimentos com habilidade, harmonizando vozes atemporais e contextualizando os ritmos mais envolventes de um momento de glória para todo brasileiro. Pouco mais de dez minutos que fazem rir, pensar e chorar pelas águas e cervejas não derramadas.

É difícil falar desse lançamento de fora, como se não fôssemos parte dele ou do cenário por ele pintado. Talvez este seja um dos objetivos traçados e cumpridos: direta ou indiretamente, te colocar como protagonista do recado dado, sem correr o risco de não se identificar ou não ser atingido pela tragédia da reclusão em tempo de festa. 

O que fica é a felicidade de ser contemporâneo de uma obra que, queiram os deuses, estará em alguns dos blocos de rua de futuros carnavais. Quando puder e quiser, dá o play e espalha esse sentimento por aí.

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