Shelter entrevista: Mustache e os Apaches

Poucas são as bandas que conseguem se reinventar por quase dez anos e manter a relevância no cenário. Uma delas é Mustache e os Apaches. “São oito anos, em dezembro nove, e ano que vem certamente faremos uma enorme festa para celebrar essa união, nesse ‘ajuntamento’ de personalidades num projeto que mudou nossas vidas”, contou Pedro Pastoriz em entrevista.

“Pensei bastante agora sobre shows e me vieram alguns engraçados, importantes, roubadas que nos ensinaram muito, coisas que se eu contar ninguém acredita. Mas o que nos mantém juntos acho que é essa vontade de dar tudo no próximo show, de pensar na sequência do trabalho”.

No ano passado, por exemplo, nasceu “Três”, álbum que resgatou as origens acústicas do grupo, trazendo influências latino-americanas num misto bem equilibrado entre romantismo, sarcasmo e aquela ironia bem-humorada tão necessária para olhar nossa realidade.

“A banda já começou mudando” – e continua até hoje. “Logo no primeiro mês, o Lumineiro trocou a caixa pelo washboard, o Rubens trouxe o bandolim, tempos depois Axel incorporou a viola, e as coisas seguem em movimento”.

Isso, claro, é fruto de observação e um quê de inovação. “Acho que o cara que tem uma pesquisa maior em se aprofundar e construir instrumentos é o Tomás, que, no ano passado, construiu um contrabanjo, uma espécie de contrabaixo com corpo de banjo. Ele fez esse instrumento pra nossa tour em Portugal e é muito útil nas viagens porque é desmontável, muito prático”.

“Hoje, toca bastante as taças, já vi chamarem de glass harp. Ele trouxe isso pro show e tem um momento especial com esse instrumento. O Rubens construiu um instrumento que parecia uma cítara, cheio de cordas simpáticas, e tem vários modelos que ele desenha pra construir em breve, mas são invenções que ele tira da cartola, coisas muito interessantes”.

Amanhã, dia 7, eles fazem um show no Auditório do Ibirapuera para celebrar os bons frutos desse último trabalho. “Estamos muito felizes com esse show, ele é dirigido pela nossa parceira Tatiana Vinhais, que já dirigiu o show de lançamento do Três no final do ano passado”, ele conta. “Esse show já foi para Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e, no próximo dia 10, vai a Porto Alegre. O show do dia 7 tem participações especialíssimas de nossos amigos da banda Teko Porã, Picanha de Chernobyl e Santa Jam Vó Alberta”.

Além disso, vale dizer, conta com interpretação em Libras e músicas de todos os discos. “O show do próximo dia 7 de junho no Auditório do Ibirapuera tem histórias legais relacionadas: foi nosso primeiro show nessa espécie de cartão postal, esse palco importante de São Paulo onde lançamos nosso primeiro disco, em 2013”.

“Também foi um show importante porque, no final daquela noite, num grand finale, com vários amigos no palco e muito movimento, um amigo me contou ao pé do ouvido que tinha acabado de descobrir que seria pai. Hoje a menina já tem cinco anos, conta piada, brinca de astronauta, tem filme preferido. São essas coisas que a vida nos apresenta quando temos dedicação de várias pessoas no mesmo trabalho, e essas histórias nos fazem continuar”.

Para a divulgação, foram lançados dois clipes, um para “Megalomania”, que saiu hoje, e outro para ”Gôndola”.

O primeiro intercala imagens entre o preto & branco com as coloridas, trazendo registros da banda dos dois lados da cortina.

Já “Gôndola” tem trechos gravados em Portugal. “Eu trouxe essa música nesse período em que estávamos em Portugal, mais ou menos pronta, e temos o costume de testar as ideias nas apresentações que fazemos na rua. Daí o grupo criou os arranjos”.

Apesar de não citada nas letras, a beira do Rio Douro deu o gancho que precisavam para o clipe. “Fomos pra Portugal fazer três shows fechados, e ocupamos o resto da agenda testando coisas pro que veio a ser o nosso último lançamento. Tocávamos na rua esse dia, à beira do Rio Douro, em grande parte para turistas, que se animavam, tiravam fotos para levar memórias de Portugal para suas casas. Fazíamos pequenos intervalos entre as apresentações pro chapéu, e nessas pausas elaboramos nossa própria versão de dieta mediterrânea: azeitonas, bolachas e vinho do Porto”.

“Depois do nosso expediente nesse dia, Rubens foi até um barco que fazia passeios e que já tinha encerrado o turno, mas, bom negociador que é, conseguiu um precinho camarada pra gente. Entregamos pro barqueiro uma sacola pesada de moedas, o sujeito ficou com uma cara maravilhosa. Ele desacreditou, contou todas as moedas, viu que estada tudo certo e nos levou pro passeio”.

Lá, gravaram a primeira versão da música, no celular mesmo. “Ainda no barco, reparamos que o por do sol estava mágico, vibrante, alta sintonia, a gente sabia que estava vivendo isso uma única vez e tinha um certo silêncio e muita beleza, o sol reluzindo nas ondulações do rio. Foi quando Lumineiro, olhando para o horizonte, nos diz ‘galera, imagina isso aqui e uma boa companhia!’. Rimos demais, foi um dia ótimo”.

Ambos os clipes foram dirigidos pelo colombiano Juan Tijeras. Em passagem pelo Brasil, o mochileiro diretor já trabalhou anteriormente com a banda. “Cada clipe surgiu de uma forma, mas o Juan é um cara muito presente e discreto, geralmente ele tem acesso às coisas que gravamos na estrada e tira da cartola clipes feitos com edição, que me parece que foi um caminho que achamos pra produzir nossos vídeos”.

A quem interessar, o show de amanhã começa às 21h e custa entre R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Anota o serviço para não perder nenhuma info:

SERVIÇO SHOW AUDITÓRIO IBIRAPUERA – SÃO PAULO:

Mustache e os Apaches apresenta Três

Data/horário: 07 de junho, 21h

Duração: 60 minutos (aproximadamente)

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia entrada)

informações: www.auditorioibirapuera.com.br

tel.: 3629-1075 ou info@auditorioibirapuera.com.br

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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