slowthai: a voz polêmica do rap inglês

Em um intervalo de menos de um ano, slowthai passou de um simples carro para um motorhome emprestado e, agora, precisa de todo um ônibus para suas turnês. Essa é uma boa metáfora para entender o sucesso do rapper de Northampton.

Seu álbum, “Nothing Great About Britain”, divide opiniões e chegou a angariar comparações com “Boy In Da Corner”, do Dizzee Rascal, e “Original Pirate Material”, do The Streets muito pelo cunho político. Foi também esse um dos motivos que o levou para o Mercury Prize, quando chegou para tocar “Doormancom a cabeça de Boris Johnson degolada em suas mãos.

Perdeu o momento? Dá o play aí:

A provocação surtiu efeito imediato: vários jornais ingleses o chamaram de terrorista e foram atrás até de sua mãe para entrevistas. Sua intenção, no entanto, não era essa. “Meu negócio não é fazer todo mundo me ouvir”, ele explica em uma entrevista para o DIY. “Falo para as pessoas que pensam como eu, e para as pessoas que são ignoradas. É para quem precisa e não para quem se opõe, então, se você concorda, concorda, mas se não, pelo menos estou atiçando uma reflexão, provocando uma conversa”.

E isso não fica só no discurso. Ele tem se esforçado para manter o preço de seus shows o mais acessível possível – em alguns lugares, conseguiu manter o ingresso por 99p (ou seja, menos de R$ 5!).

“A ideia veio de um sorvete. Sempre fico puto quando vejo um cone de 99 pence custando dois pounds hoje em dia. Você não consegue mais muita coisa com 99p. Quem já esteve no meu lugar sabe que são essas coisas pequenas que irritam”.

Toda a insatisfação mútua acabou unindo o músico com o Idles, além de gerar parcerias com nomes como Mura Masa. Mesmo com a agenda apertada, ele já começou a trabalhar no próximo álbum – inclusive tem o conceito pronto. “Sei com quem vou trabalhar e já tenho três músicas. É só que tem muitas coisas que quero fazer, outras ideias e pessoas com quem quero trabalhar, muitos álbuns para criar e pouco tempo”.

Por enquanto, a única coisa que adiantou é que espera que o próximo seja mais imaginativo, tenha mais metáforas. Esperamos que na mesma temática.

Baseado na entrevista para DIY

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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