Três vezes Jake Bugg

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Foto: Rafael Beck / Estúdio Gaveta

Ou como ele evoluiu em um ano. Esses últimos shows do Jake Bugg no Brasil marcam o final da turnê e o começo de uma nova fase para ele com as gravações do terceiro disco. Acompanhando assim, no dia a dia, nem dá para perceber, mas quando distanciamos um pouco o ponto de vista para um overview, notamos o quanto ele cresceu durante a última turnê.

Tive a oportunidade de acompanhar três de seus shows e tirei um tempo depois dessa última apresentação em São Paulo para analisar essas pequenas mudanças entre um set e outro, olha só:

1 – The Ritz, Manchester (23/02)

Em sua terra natal, Jake parecia completamente confortável e, apesar de estarmos no primeiro dos três, ele já mostrava confiança nas músicas do segundo disco, mesmo que o set estivesse focado nas do primeiro.

Esse, diferente dos outros, teve um encore, apesar de conter a mesma quantidade de músicas que o último show aqui em São Paulo. Lá, no entanto, ele não explorou tanto os solos quanto aqui, parecia menos propenso a se arriscar nas improvisações, apesar de fazê-lo na passagem de som.

Ah, fica a dica: estar confortável não significa que ele conversava mais com a plateia por lá. O tratamento foi o mesmo – no entanto, ele estava entre amigos. Michael Kiwanuka, inclusive, subiu no palco para participar do cover de sua música, “Tell Me A Tale”. Johnny Marr, que não subiu no palco, mas estava na plateia, não poupou elogios para o amigo.

2 – Lollapalooza Brasil, São Paulo (06/04)

Foto: I Hate Flash

Foto: I Hate Flash

Dizem que, na hora do show, Jake conseguiu reunir mais gente que o Soundgarden, que tocava em outro palco no mesmo horário. Essa não foi a única vez do ano em que ele competiu com uma banda desse naipe. No próprio Glastonbury, dividiu o horário com o Metallica.

Mais fechado e meio sem saber o que esperar do público, optou por um set agitado para cativar até a galera que ainda não conhecia sua música. Nem precisa dizer que foi sucesso, né?

Em vários pontos do autódromo, se viam pessoas saltitando ao som da guitarra ou cantando junto enquanto brindavam com as cervejas. Apesar do set curto, deu preferência às músicas do segundo disco, nos presenteando também com um cover de “Hey Hey My My”, do Neil Young, pra provar que seu público podia, sim, ser composto pela galera mais velha.

3 – Citibank Hall, São Paulo (27/11)

Durante sua última passagem pelo país, Jake parecia exausto. Não fosse próximo ao fim da turnê, recomendaríamos umas férias pra ele. No entanto, parecia também mais confiante. Não foram poucas as vezes que se arriscou em solos.

Sem titubear, dividiu bem o set entre os dois primeiros álbuns e ainda deu espaço a um terceiro – o que deixa muito a especular. “Hold On You” tem aquele quê norte-americano, puxado pro country, o que nos leva a pensar se ele vai levar a sério as ideias de explorar esse lado de sua música e se vai mesmo se mudar para os Estados Unidos.

Talvez por estar em ambiente fechado, só com fãs, talvez por estar mais confiante, pareceu também um pouco mais confortável com os brasileiros, arriscando um ou outro sorrisinho quando a voz da plateia se sobrepunha à própria – e, quando se assiste aos vídeos, dá para perceber que não foram poucas as vezes em que isso acontecia.

Ao que tudo indica, ele ainda tem muito a crescer e conquistar. Também onde inovar. Agora grava logo esse terceiro disco e volta, Jake (mas com outro cenário porque tá na hora de mudar, ok?).

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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