Em 1988, The Sugarcubes projetou Björk e deixou legado encantador e desconcertante para o mundo

Ao me aventurar no Youtube e descobrir, despretensiosamente, uma conversa entre os ex-apresentadores da MTV Fabio Massari e Luiz Thunderbird, fui pego de surpresa com a breve menção a uma banda islandesa que começou a projetar suas luzes ao mundo na segunda metade da década de 1980: The Sugarcubes.

Sabem aqueles momentos em que você entra em estado de perplexidade consigo mesmo por não ter esbarrado em obras completamente arrebatadoras? Entrei de cabeça neste estado místico e emocional a partir do momento que Thunder decidiu colocar um trecho do clipe de Cold Sweat. Sabia exatamente o que esperar, ou melhor, o que não esperar de uma história deste porte.

A banda contava com ninguém menos que Björk Guðmundsdóttir (ou simplesmente Björk), que já revelava um perfil desafiador, ainda que submetido à estética de um grupo que se aventura nas ondas de um post-punk/new wave longínquo e abarrotado de personalidade. Como reza minha cartilha pessoal neste tipo de imersão, fui atrás do primeiro disco, Life’s Too Good (1988), e foi como se eu pudesse voltar no tempo que não vivi para apresentá-lo pela primeira vez a cada um dos meus amigos, sedentos por novidades e choques de realidade musical.

A postura de Björk não traz o conforto instantâneo que muitas pessoas buscam em suas  experiências sonoras. Ela faz da voz algo semelhante a um elástico, que você estica, estica e estaca de forma desmedida, só para ver até onde se sustenta. Em certos momentos, parece que as cordas vocais, assim como o elástico, irão se romper, mas permanecem fortes, prontas para mais uma investida visceral nos ouvidos de quem se aventura nessas tracks. 

Etérea e sombria, a obra de The Sugarcubes conversa com os  ecos psicodélicos de outros nomes da cena dream pop oitentista, como o Cocteau Twins, de Elizabeth Fraser e Robin Guthrie. É algo simplesmente estrondoso, gigantesco e absolutamente necessário para toda e qualquer geração de aficionados por música!

Como o tempo foi capaz de mostrar, este traço de personalidade musical elevou a islandesa à enésima potência, pavimentando sua estrada para uma carreira solo indubitavelmente bem-sucedida e abrindo caminhos para artistas igualmente inquietos, destemidos e capazes de compor suas obras de forma sinestésica, oferecendo aos ouvintes uma descarga sensorial única e cheia de vitalidade. Se você busca algo diferente de um ~case~ bem-sucedido de música pop, faça um favor a si mesmo e mergulhe de cabeça na obra dessa galera.  

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