Jägermeister Grounds dá show quando o assunto é cenário brasileiro

Em meio a tantos lineups repetidos e tentativas de criar projetos envolvendo música, são poucas as marcas que dão conta do recado. E a Jägermeister provou que é uma dessas – aliás, não de hoje.

Durante o ano, rolaram várias festas pequenas com duas ou três bandas nacionais e, para encerrar daquele jeito, ontem teve um festival levando o Deap Vally como headliner – até que enfim!

Além dos shows, o festival aconteceu em parceria com o Pixel Show. Então dava para comprar uma ou duas brusinhas de marcas autorais durante os intervalos (fiz ótimas descobertas, que ficam para um próximo post).

COMBOVER

Apesar de se intitularem fadados ao fracasso, a gente bem que discorda. O power trio recebeu a responsa de abrir o festival com seu peso e riffs rápidos. Precisa completar dizendo que a combinação deu certo?

COLOR FOR SHANE

Na sequência veio o Color for Shane, duo do ABC que bebe das influências do The Stooges, Fugazi, The Vines e até mesmo do indie anos 2000 do Strokes. Apesar disso, seu som pende mais pro stoner e post-punk.

SKY DOWN

Sky Down é a primeira banda do lineup a contar com uma garota em sua formação. Amanda divide os vocais com Caio Felipe e o som da banda transita entre o grunge noventista e o punk 77. Foi uma das que eu nunca tinha visto ao vivo, apesar de serem de Santo André, e também uma das maiores revelações.

DEVILISH

Mas esse baixista parece o cara da Corona Kings, né? Oh, wait. O ex-duo, agora trio, parece ter uma preocupação com a estética de seu trabalho – e aí vai desde as ilustrações e clipes até o live, com uma performance que corresponde ao som pesado, bem Stooges feelings.

THE LAST STATION

Aposta do hardcore nacional, a The Last Station tá em processo de gravação do novo trabalho, mas mandou ver na apresentação cheia de energia no Jägermeister Grounds, agradando principalmente aos fãs que estavam por ali à espera de Dead Fish.

BEACH COMBERS

O Beach Combers trouxe um pouco do Rio com suas guitarras alternando entre a surf music e a trip lisérgica de garagem dos anos 60. Longe de parecer uma releitura, eles acrescentam sua própria identidade aos shows – sonora e esteticamente.

LAVA DIVERS

A Lava Divers tá nonstop esse ano. Os mineiros já fizeram um verdadeiro tour, passando de Belém a Brasília e aterrissando aqui para tocar em posição de destaque no Jägermeister Grounds (and gravar com a gente! Calma que logo sai). Eles gostam de distorção e passeiam entre o lo-fi, grunge e shoegaze.

DEAD FISH

O Dead Fish dispensa apresentações. Fez seu set já com o público ganho de cara e dominou o palco, tocando alto – se duvidar, foi o show mais alto de todo o festival. Protestos de cunho político foram recorrentes, até no tema das músicas, o que dá certo alívio frente à apatia geral. Prova disso é o “fora Temer golpista” aí da foto (;

DEAP VALLY

Ah, a felicidade de saber que uma banda que te agrada nos álbuns também manda bem no ao vivo <3 Apesar das dúvidas iniciais, Julie foi muito bem substituída por Phem na bateria – que literalmente detonou, até destruindo a caixa no meio do percurso.

O setlist das californianas passou pelas músicas dos dois primeiros álbuns, com foco em “Femejism” por motivos óbvios – é o mais recente. Felizmente, isso não foi desculpa para deixar de fora músicas como “Gonna Make My Own Money” ou “Baby I Call Hell”, que foi o encore levantado pela galera.

Lindsey consegue, ao mesmo tempo, ser uma querida com os fãs e uma das mulheres mais empoderadas que já vi no palco. Fica ainda a curiosidade de ver o entrosamento dela com a Julie – e o convite para voltar mais vezes, com a certeza de que segurariam fácil um show em festivais maiores (alô, Lollapalooza).

Fotos: Babi Malvar

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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