System of a Down deixa seu tempero no caldeirão das eleições nos EUA com dois singles acachapantes

Quem achou que não haveria uma trilha sonora adequada para as contagens de votos, birras presidenciais e acirramentos políticos gerados durante a disputa eleitoral norte-americana, se deparou com uma grande surpresa aos 47 minutos do segundo tempo de uma semana absolutamente exaustiva (sob vários ângulos e aspectos). 

System of a Down reapareceu nas listas de lançamentos da semana com duas faixas alinhadíssimas ao ambiente sugestivamente hostil nos Estados Unidos e, paralelamente, em grande parte do mundo. Nacionalismo, terrorismo e linguagem bélica ganharam luz em um esperado, necessário e unificado tom crítico adotado pelos integrantes, a despeito da efervescência política que eclode em cada um deles.

Protect The Land abre a dobradinha com certa cautela, marcada por arranjos mais melodiosos e ritmo cadenciado, como se estivesse sugerindo serenidade na análise de um cenário marcado pela ideia de autodefesa ou de proteção patriótica. Ao lançar os questionamentos sobre as ideias de permanência e resistência, a música ganha contornos imprevisíveis, uma vez que cada ouvinte tende a atribuir tons e notas totalmente distintas ao recado no espectro político e social. Entre os fãs mais debruçados na obra, uma rota de colisão inevitável se forma e eleva os pontos de inflexão sobre as percepções de invasão e defesa nacional.

Se a abertura soa mais tranquila, Genocidal Humanoidz incendeia a mente humana e nos deixa prontos para o embate. Não existe tempo para respirar e as pausas são quase supersônicas em uma verdadeira retomada à postura encontrada em Chop Suey! (2001) ou B.Y.O.B. (2005). Aqui, o genocídio ganha o retrato sonoro que merece, escancarado pela violência estrutural que o sustenta e o mantém como pilar cultural da sociedade. A dupla eleitoral estadunidense, por sua vez, não deveria deixar de ouvir esta peça em meio à corrida presidencial.

Com toda esta batelada de sensações que ainda me dominam e que precisam ser devidamente digeridas, só me resta recomendar um play firme e forte nestas faixas. De um quarteto que conduz suas bandeiras com tanto vigor e por tantos anos, não poderíamos esperar absolutamente nada diferente de uma belíssima catarse musical. Segue o jogo!

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