A Nona Casa – Leigh Bardugo

Prêmios são uma faca de dois gumes. Mesmo sem saber sobre o que se tratava “A Nona Casa”, me joguei nessa leitura, que levou a categoria de melhor livro de fantasia, sem pensar duas vezes ou pesquisar muito mais.

Dessa vez, foi acerto imediato. Leigh tem uma sensibilidade ímpar, criando personagens complexos e nada maniqueístas – começando, inclusive, pela protagonista, Alex.

Foto: @bookwormgram

Longe de ser a garota exemplar, conhecemos todas as suas qualidades e defeitos no decorrer da narrativa, passando pelas facetas mais densas e entendendo também como seu histórico fez com que se tornasse como é hoje.

No início do livro, somos apresentados à Lethe e um universo onde o mágico convive com o mundano e fantasmas transitam entre nós, embora a maior parte das pessoas não consiga vê-los. Alex é uma das encarregadas por vigiar todas as Nove Casas fundadas em Yale, cada uma responsável por um tipo de magia diferente.

Logo de cara descobrimos que, diferentemente de outros, ela não se candidatou para essa vaga, mas foi escolhida por sua capacidade de enxergar fantasmas sem precisar da ajuda de nenhuma magia para isso. Darlington, o aparente golden boy, fica responsável por treiná-la para todas as tarefas que vai precisar assumir sozinha quando ele se formar.

Darlington. Meu, seu e, provavelmente, crush da própria Alex também, Darlington tem um carisma que transcende palavras. Os dois criam uma dinâmica que se alterna entre o cuidado e o atrito – e é uma pena que isso não seja mais explorado no livro.

Pensou em romance, Harry Potter e bruxaria? Errou rude. Todo esse universo serve apenas como base para assuntos bem menos encantadores, mas cruelmente atuais. Homicídio, vício em drogas e estupro são só alguns dos disclaimers que você precisa ter em mente antes de abrir o livro.

“A Nona Casa” mostra uma releitura sobre a magia clássica, usando feitiços para confundir seguranças, criando festas regadas a dissimulações da realidade e rituais para prever quedas e altas da bolsa de negócios. Uma magia sujeita a falhas e escapes, que desperta também o pior das pessoas.

É uma dessas falhas que desencadeia a narrativa principal de “A Nona Casa”: o assassinato de uma garota que, à primeira vista, nem tem ligação alguma com as Casas. Mais uma garota que não se encaixa, assim como Alex.

Apesar da história se completar bem nesse volume, já espero para acompanhar as próximas empreitadas de Lethe.

Nota: ⋆⋆⋆⋆⋆

Onde encontrar: a tradução pela editora Planeta ainda não saiu, mas a versão original para Kindle tá aqui https://amzn.to/3c3Bx6v

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

Um Comentário:

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