Resenha: O Auto da Maga Josefa – Paola Siviero

Já se pegaram imaginando como seria uma fantasia que se passasse no Brasil? Melhor ainda: uma fantasia que se passasse no Nordeste do Brasil? Eu sim, mais de uma vez. E O auto da maga Josefa é justamente isso: uma fantasia que se passa no agreste nordestino, mencionando criaturas do nosso folclore, como a mula sem cabeça. 

Imagem: Leitor Cabuloso

No livro, acompanhamos Toninho, um caçador de demônios, que vem de uma família de caçadores. Em uma das suas caçadas, ele conhece Josefa, e mesmo desconfiando das intenções dela, já que magas são filhas do Diabo, aceita sua ajuda, começando daí aventuras que conseguem fazer você chorar de rir (ou pelo menos abrir um sorriso ao reconhecer algumas de nossas lendas que acabam esquecidas e substituídas por lendas que vem de fora). 

Em pouco menos de 300 páginas, Sivieiro consegue nos fazer se apegar aos personagens, e torcer para que consigam sua redenção, cada um através de sua própria jornada. Ah, e no final, sem spoilers, há um desafio de repente entre Deus e o Diabo

(Caso você não saiba o que é desafio de repente, é um desafio de rimas, como no rap, mas ao invés de batidas, o som que acompanha é o de violas. No sul do país é conhecido como Trova e, segundo o Wikipedia, utilizam acordeon e violão.)

O livro foi publicado em meados de 2018 pela editora Dame Blanche, apenas em formato digital, e de lá para cá já foi indicado a três prêmios e ganhou dois deles, o Prêmio Le Blanc por Melhor Romance Nacional de Fantasia, Ficção Científica ou Terror (2019), e o Prêmio Odisséia por Melhor Narrativa Longa de Fantasia (2019)

Claro que se você for um dos “puristas” que preferem uma fantasia medieval fortemente inspirada na Europa, esse não vai ser o livro para você. Mas caso esteja querendo mudar os ares, ou apenas ter uma leitura rápida e divertida, tenho certeza que não vai ser arrepender de ler O auto da maga Josefa.

Nota: ⋆⋆⋆⋆

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Bells Cavalcanti

Fiction is a lie that tells us true things, over and over

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