Resenha: Cantigas no Escuro – Laura Pohl

Na apresentação do livro, Laura Pohl (organizadora e uma das autoras dessa coletânea) disse que a ideia surgiu de uma conversa com Solaine Chioro, outra autora do livro, sobre como as cantigas infantis são estranhas e não precisavam de muito para se tornarem histórias assustadoras. Depois de ler Cantigas no escuro, fiquei me perguntando como ninguém teve essa ideia antes.

O livro possui seis histórias, cada uma inspirada por uma cantiga de roda, e com ilustrações de Dante Luiz.

A primeira cantiga a aparecer é Ciranda, o conto, escrito por Jana Bianchi, autora mais conhecida por Lobo de Rua, acompanha um grupo de crianças que encontram uma caixa enterrada na fazenda dos avós, e a partir daí coisas horripilantes começam a acontecer. Já no conto de Iris Figueiredo (Céu Sem Estrelas), conhecemos Maria, uma garota com sonambulismo que vai passar uns dias na fazenda de uma amiga, e seus passeios noturnos dão um novo significado a Fui no Tororó.

Em Juro que te amo, de Solaine Chioro (Reticências), vamos descobrir que nem sempre nossas fantasias amorosas de crianças são apenas fantasias. (E também que a letra de Se essa rua fosse minha é “se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar“, e não “mandava ela brilhar”.)

O Cravo e a Rosa sempre foi uma música que mesmo criança eu achava meio perturbadora, e em seu conto Gabriela Martins (autora e organizadora de Momentum), fez uma releitura escancarando um relacionamento abusivo, com um toque de magia. No conto de Emily de Moura, inspirado em Alecrim Dourado, vamos ter um encontro, no meio de um campo de alecrim, com um corpo-seco, uma das lendas brasileiras que eu não conhecia antes do conto de Emily.

Por último, temos Algo teu, conto de Laura Pohl (autora de The Last 8 que você pode ouvir gratuitamente pelo Spotify) que deu início a essa coletânea. A cantiga da vez foi Batatinha quando nasce, e a história começa quando desafiam Lia a ir até uma casa abandonada depois da serra, onde ninguém ia, e trazer algo como prova. Lia volta com uma batata, que, como ela percebe uns dias depois, parece ter vida própria.

Como toda coletânea de contos, Cantigas no escuro tem altos e baixos, mas, felizmente, os baixos nesse caso são ínfimos , e temos muitas surpresas agradáveis. Todos os contos são pelo menos relativamente bem desenvolvidos, e o ponto chave de cada um deles, o medo, é relativo, uma vez que o que causa medo a alguém é bastante individual.

Uma boa pedida para conhecer algumas autoras nacionais, e ver algumas delas, como a Iris Figueiredo, saindo de sua zona de conforto.

Nota: ⋆⋆⋆⋆

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Bells Cavalcanti

Fiction is a lie that tells us true things, over and over

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