Conheça Ethel Cain, a artista trans que une shoegaze e chamber folk

Mais do que música, Ethel Cain entrega performance. Sua arte é uma forma de destrinchar o passado e reivindicar suas origens. Nos palcos, Hayden Anhedönia incorpora Ethel Cain, persona inspirada em filmes de terror e na sua própria visão sobre cultos.

Sua ideia era remeter à estética de igrejas batistas das partes mais remotas dos EUA, mas de uma forma que conseguisse, acima de tudo, exaltar sua própria feminilidade.

“Eu estava num momento de fragilidade e até meio incerta sobre minha feminilidade, especialmente depois de me assumir (como trans), então Ethel foi um grande passo na direção contrária. Ela está sempre no controle da situação, sempre um passo à frente de tudo”.

Em entrevista para a Them, ela explica ainda que criar esse personagem ajudou a se sentir mais confortável consigo mesma.

A religiosidade acaba sendo um tema recorrente em sua estética. E não por acaso. Anhedönia é cria de uma dessas Igrejas Batistas – seu pai, inclusive, é pastor, e a mãe cantava no coral. “A primeira pessoa que disse que eu não iria para o inferno quando morresse foi o terapeuta que meus pais me obrigaram a ver quando eu tinha 16”, ela contou para a Pitchfork. Mesmo durante a adolescência, por causa da igreja, não podia usar a internet, ouvir músicas não-cristãs ou escolher as próprias roupas. Daí você começa a entender a opção por interpretar uma líder de culto. Não como forma de menosprezar a experiência, mas sim de ressignificá-la agora que pode.

Musicalmente, Ethel soa muitas vezes como Florence Welch, inspiração declarada, e Lana Del Rey, mas numa versão com muito mais reverb. Em seu EP recém-lançado, “Inbred”, ela passa por baladas como “Michelle Pfeiffer” e faixas que bebem muito do grunge, como a música que dá nome ao trabalho.

Para conhecer esse som, trouxemos o clipe novo de “Crush”, dirigido pela própria artista numa pegada bem vídeo-caseiro-anos-90, gravado numa câmera de mão toda tremida.

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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