Música engajada marca o projeto solo de JAN

Tem muitos “des” que ajudam a descrever o governo atualmente. Desserviço, desconfortável, descarrilado. Destemido não é um deles, mas o adjetivo pode muito bem ser usado para descrever o projeto solo do Jan Santoro, cirúrgico em suas críticas à crise política.

Há alguns dias, o vocalista da Facção Caipira lançou o single “2020 Ano Que O Brasil Ardeu”, parte do Lado 2 de seu novo EP. De sonoridade orgânica, nascida e inspirada pelo Brasil, a faixa reúne músicos de várias regiões do país, trazendo nomes do Sudeste (Rafael Barros, Bento e Gabriel Araújo), Centro-oeste (Billy Espíndola) e Norte (Tainá Garmendia e o Conjunto Caruana) para um protesto contra a boiada que o governo deixou passar e os subsequentes crimes ambientais que se originaram disso.

Aqui, o ganzá do samba encontra a ancestralidade do pau de chuva, unindo ritmos e tribos em uma única mensagem. Urgente e necessária.

É nesse tom que segue o EP de JAN. Durante esse período conturbado de pandemia, ele se afastou do blues e do rock para trazer elementos do eletrônico, experimentar e acrescentar camadas às suas criações. No Lado 1, que saiu mês passado, temos faixas como “Modelo Neoliberal” e “Rachadinha”, ambas cutucando a política e a sociedade brasileira como um todo.

O Lado 2 será lançado em singles até setembro. Enquanto isso, você pode conferir o show gravado no terraço da Fauhaus em SP.

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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