Laure Briard fala sobre seu terceiro álbum, projetos secretos e crush brasileira

Não é de hoje que a música francesa exerce certo fascínio por aqui. Serge Gainsbourg e Françoise Hardy marcaram a época de ouro dos anos 60. Hoje em dia, temos um revival com a cantora Laure Briard, que transita entre o indie pop e o psyche com a mesma facilidade com que se aventurou pela bossa nova em “Coração Louco”, álbum feito em parceria com Benke Ferraz, do Boogarins.

Un peu plus d’amour s’il vous plait (um pouco mais de amor, por favor) é seu terceiro lançamento e nos faz embarcar em uma jornada ora acalentadora, ora sensível e apaixonada.

“Minha mensagem é global e diz respeito a sentimentos”, ela explica, mais especificamente sobre a faixa que dá título ao disco. “Com certeza (ela) tem uma conexão com a política, com tudo o que essas pessoas horríveis que estão nos governando fazem para acentuar a distância entre as pessoas”.

Confira a conversa que tivemos com Laure sobre esse lançamento, projetos paralelos e sua crush brasileira real oficial!

Eu amei seu álbum! Tive a impressão de embarcar em uma jornada completa até chegarmos a Un peu plus d’amour s’ilvour plait. Foi sua intenção criar o disco dessa forma ou você geralmente pensa nas músicas individualmente?

L: Fico feliz por você ter esse sentimento, não tive essa intenção inicialmente. Estou acostumada a pensar nas músicas individualmente, com certeza. Quando escrevo, faco isso passo a passo, dia a dia. Como tenho muitas influências, tudo pode soar bem diferente, sem nenhuma conexão entre si. E só quando temos todas as músicas que começo a pensar em uma tracklist em potencial. Então, tento fazer um tipo de sucessão lógica. Por isso fiquei feliz por você ter dito isso, faz sentido.

Seu último lançamento foi “Coração Louco”. Que novas influências tanto musicalmente quanto não-musicalmente acrescentaram às novas músicas?

L: Quando comecei a gravar Coração, já tinha muitas das músicas do novo álbum em mente. Essa experiência no Brasil foi, principalmente, uma experiência humana. Vai além da música, porque afeta minha mente, minha alma. É muito abstrato. Ela me mostrou uma nova forma de trabalhar e a possibilidade de criar links com pessoas incríveis, como o Boogarins e Hierofante Púrpura.

Falando nisso, como você conheceu o Boogarins?

L: Eu os conheci em março de 2017, durante a tour Tex/Mex. Tocamos várias vezes nos mesmos lugares, México e SXSW em Austin. Então começamos a sair e lembro que foi na última noite… Eu contei para eles que um dos meus sonhos era ir para o Brasil e fazer alguns shows por aí. Eles disseram que podiam ajudar. Cinco meses depois, estava lá! Foi uma conexão surreal.

Podemos esperar uma nova colaboração com artistas brasileiros? Aliás, com quem gostaria de trabalhar?

L: Tem muitos artistas com quem eu gostaria de colaborar. O Boogarins de novo e de novo!! Kkkk Também amo real o Giovani Cidreira. Ele é meu crush! Acho sua vibe muito bonita. As letras são maravilhosas, sua sensibilidade também. Assisti alguns ao vivo no youtube e ele parecia se transportar no palco. Talvez algo aconteça com ele… Espere e veja!

Li por aí que você estudou criminologia, é verdade? E você acha que conhecer essa parte mais sombria do ser humano afeta como você enxerga o mundo e, consequentemente, sua música?

L: Sim, é verdade! Nesse exato momento do meu processo musical, não posso dizer que tem influência no que eu faço. Mas com certeza influencia o modo como eu vejo o mundo. Sei o que uma pessoa é capaz de fazer e isso é assustador. Posso dizer que me deixa meio paranoica.

Sobre minha música, é diferente. Não quero explorar esse lado sombrio no momento, mas preciso admitir que tenho um projeto paralelo… É uma coisa bem estranha. Adoraria compor músicas para trilha sonora de filme de terror. Então já comecei…

Por fim, Un peu plus d’amour s’il vous plait é um título, mas também um pedido. E ele está muito relacionado ao que vivemos hoje. Você diria que sua música é política?

L: Mmmm eu acho que dizer que minha música é política é um pouco demais… Eu acho que não. Essa mensagem que eu mando é global e diz mais respeito a sentimentos. Com certeza ela se relaciona com a política, com tudo o que as pessoas horríveis que estão nos governando fazem para acentuar a distância entre as pessoas e incentivar o ódio.

Minha mensagem é um lembrete importante. Pode soar clichê… Mas acho importante dizer isso de novo e de novo. Como um mantra para ter em mente.

Bruna Manfré

não é boa com descrições.

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